Saturday, October 14, 2006

Palavras feias e palavras bonitas

Minha grande amiga Dedé me disse uma vez que a palavra mais feia que existe em português é fronha. Ela disse isso franzindo bem o nariz e erguendo os lábios, para ilustrar bem como a palavra soava feio. Tive de concordar. Afinal, é uma palavra com um som de r que logo é seguido por um som nasal, do tipo que raramente se vai colocar numa poesia ou música, certo? Em inglês, é pillow case. Soa melhor? O que vocês acham?

Agora, uma palavra em inglês que me parece muito bonita, não tanto pelo som, mas por sua origem, é enthusiasm (entusiasmo). O dicionário etimológico Oxford nos ensina que, no início, a palavra significava frenesi poético ou profético. É formada a partir do grego enthousiasmós, que quer dizer inspirado ou tomado por Deus (theós, no grego)
Ou seja, quando dizemos que estamos entusiasmados com alguma coisa, estamos inspirados por Deus ou com Deus dentro de nós. Bonito ou não?

E para vocês? Que palavras são bonitas ou feias em português ou inglês? Não vale palavrão, hein, por que essas são respostas óbvias. Deixem seus comentários aqui.

Tuesday, October 10, 2006

Perder a hora

Hoje acordei com muito sono. Tinha dormido apenas 8 horas durante a noite. Sei que os médicos dizem que isso é o número de horas de sono recomendável para adultos. Mas para mim, preferia que a recomendação fosse assim: "Para ter saúde, o ideal é ficar acordado 8 horas por dia... e dormir o resto do tempo."

Bem, o que isso tem a ver com o assunto deste Blog? É que, enquanto eu descia sonolenta de elevador para arrastar-me até a padaria, lembrei-me que meus alunos sempre me perguntam: "Como se diz 'hoje eu perdi a hora?'" Muitos tentam a tradução do português: "Today I missed the time/hour." Embora a estratégia de traduzir a língua portuguesa para o inglês funcione muitas vezes e seja um recurso que pode ser usado quando não sabemos como dizer determinada coisa em inglês, nesse caso, a tradução não ajuda.

Podemos comunicar a mesma idéia usando um prefixo muito útil para expressar excessos em inglês: over.
I overslept this morning. (Dormi demais hoje de manhã.)
O mesmo prefixo serve para expressar outras idéias, que geralmente têm a ver com um comportamento exagerado:
Overeat - comer demais. I overate at the wedding party yesterday. (Comi demais na festa de casamento ontem.)
Overdrink - beber demais. Your liver suffers if you overdrink. (Seu fígado sofre se você bebe demais.)
Overdose - dose excessiva. He died of an overdose of cocaine. (Ele morreu de overdose de cocaína); ou seja: Ele morreu de uma dose excessiva de cocaína. Ou: Ele morreu por ingestão excessiva de cocaína.

Talvez se a gente pudesse passar mais tempo dormindo, não tentássemos compensar a falta de sono overeating ou overdrinking! Pensem nisso! Que tal começarmos uma campanha pela modificação da recomendação médica para o sono diário? Abaixo essas míseras oito horas de sono por noite! Pelo direito de dormirmos até o sono passar! Assim, ninguém iria oversleep!

Friday, October 06, 2006

Exercício de tradução

Vocês já ouviram falar em uma modalidade de exercícios chamada ballness? A aula de ballness trabalha flexibilidade e força e deixa o corpo de quem a pratica mais elegante. Mas isso aqui não é um blog sobre forma física, certo? Eu trouxe o assunto porque esse nome me intriga, desde a primeira vez que o vi escrito em uma revista de boa forma. Pensei com meus botões..."mas que diabos quer dizer ballness?" É comum quem aprende inglês confundir o sufixo -ness com -less (menos, sem). Quando comento que acho o nome ballness estranho, a primeira coisa que escuto é: "Puxa, é mesmo... Esse nome quer dizer sem bola(s)?" Não, não quer. E este também não é um blog pornô. Não se preocupe! O sufixo -ness, de origem inglesa, é adicionado a adjetivos em inglês para formar substantivos, como fazemos em português com: mal (adjetivo) - maldade (substantivo); certo (adjetivo) - certeza (substantivo); grande (adjetivo) - grandeza (substantivo).

Em inglês, o adjetivo dark (escuro) torna-se o substantivo darkness (escuridão); o adjetivo sad (triste) transforma-se no substantivo sadness (tristeza). O sufixo -ness indica a condição ou o estado ou a qualidade de algo. Sadness (tristeza) é o estado de quem está triste, portanto.
Vejamos agora ballness: Se -ness indica estado, qualidade ou condição, então ball, que já é um substantivo, adquire qual novo significado ao juntar-se ao sufixo -ness? O que vem a ser uma aula com base em uma bola em estado ou com qualidade de bola??? O termo em inglês aparece em geometria e filosofia, por exemplo, quando se discute as características que fazem de uma bola, uma bola. Mas para designar esse tipo de aula, o termo me parece pouco apropriado.

Pensei, pensei, pensei numa tradução para ballness, até que cheguei a uma palavra que une o substantivo bola + um sufixo que também indica estado, condição ou qualidade em português. Além disso, procurei fazer essa nova palavra, inventada por mim, traduzir o termo em inglês e , ao mesmo tempo, transmitir a idéia do que é a aula: um exercício não muito intenso, que deixa o corpo mais bonito. Foi aí que cheguei ao neologismo (palavra nova)...Boleza! (Bola + eza). Imaginei até o slogan: Um exercício até que moleza, que deixa seu corpo uma beleza! Claro que estou brincando mas, do ponto de vista da formação da palavra em português, o que fiz foi exatamente o que o inventor do termo ballness fez com o inglês, quando ela surgiu pela primeira vez (e não foi para uma aula de ginástica, até onde eu saiba!).

O que procuro demonstrar com meu neologismo é que, às vezes, palavras são usadas para dizer simplesmente nada, ou seja, para não comunicar nada. Ballness não significa nada para o falante de português que desconheça o inglês e, para quem sabe inglês, também não significa nada, pelo menos não nesse contexto. Penso que um nome apropriado para a prática seria "aula com bola suíça", ou "exercícios com bola". Nomes muito longos? Bem, poderíamos pensar em combinar as palavras em português e, talvez, chamar a aula de Bolex. Que tal? Alguma sugestão?
Espero que a brincadeira tenha ajudado o leitor a entender esse processo de formação de palavras.

Tuesday, October 03, 2006

Atividade usando e-mail e telefone

Uma atividade a distância, com resultados surpreendentes, é pedir que o aluno escreva um texto sobre algum assunto de sua área profissional. Por exemplo: um relatório expondo ao gerente os motivos do bom ou mau desempenho de um departamento da empresa naquele mês. O professor deve indicar ao aluno alguns sites com roteiros sobre como redigir relatórios. O aluno escreve o texto, seguindo os parâmetros indicados pelo professor, edita-o com o uso de um software como o Word por exemplo, e envia-o por e-mail ao professor. Na hora da aula o aluno liga para o professor (pode ser por telefone ou utilizando o recurso de áudio do MSN ou Skype) e, em inglês ou português, dependendo dos objetivos, ambos discutem o conteúdo e a forma do relatório. Quanto mais próxima a atividade for daquilo que o aluno vivencia em seu trabalho, melhores os resultados pedagógicos.

Sunday, October 01, 2006

Como ver todas as postagens do Blog?

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Boa leitura!

Saturday, September 30, 2006

Aulas de inglês ou português a distância via Skype ou MSN.

Por volta de 1998 comecei a trabalhar com inglês/português por telefone e e-mail. Com o surgimento do Skype e MSN, passei a usar essas ferramentas para ensinar mais pessoas que não têm tempo de sair do escritório ou que viajam muito. Às vezes as aulas são por meio do Chat e e-mail, dependendo dos recursos e do que a pessoa deseja ou precisa aprender. Para quem precisa desenvolver redação, a prática via Chat é excelente. Para quem quer desenvolver habilidade oral, o microfone resolve o problema! Se houver câmera, melhor ainda. Claro que é preciso que professor e aluno tenham acesso a conexão de banda larga.
Embora as pessoas em geral pensem nessa modalidade de aprendizagem como desvantajosa em relação às aulas presenciais, meus alunos normalmente dizem que a aula a distância, seja por telefone ou on-line, "rende" muito mais, aumenta a concentração e surte resultados mais rápidos. Isso requer um estudo mais aprofundado, mas percebo que ao telefone ou computador o aluno tende a se concentrar mais na tarefa, uma vez que não é possível contar com a observação do professor pelo aluno e vice-versa por contato visual ou maior campo de contato visual, quando se usa a câmera. Sendo assim, para que a comunicação não sofra interrupções e interferências, há um empenho individual para manter a interação a distância, por meio de uma maior concentração naquilo que o outro diz. Além disso, como nem aluno nem professor gastam energia locomovendo-se no trânsito, a disposição para a aula aumenta e as possibilidades de agendamento de aulas também. Por não haver interrupções durante viagens, por exemplo, o ritmo de aprendizagem se mantém.

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