Tuesday, October 27, 2015

Halloween não é o Dia das Bruxas!

Em 31 de outubro muitos países de língua inglesa comemoram o Halloween. No Brasil a data começou a ser comemorada nas escolas de idiomas e hoje em dia está mais disseminada, apesar da crítica ao fato de ser uma festa "importada" dos Estados Unidos.
Na realidade, existe uma tese que afirma que essa festa tem origem nos povos Celtas da Escócia e Irlanda, antes de Cristo. Quando houve uma escassez de batatas na Irlanda, os que fugiram da fome emigrando para os Estados Unidos, levaram sua tradição para lá.
Os antigos romanos também a comemoravam e, os cristãos, desde o século I,  têm uma data semelhante, que é o Dia de Finados (2 de novembro, data universalizada no século XI), para celebrar os que já se foram desta vida.
Se analisarmos o nome Halloween, veremos que essa festa reúne o Dia de Todos os Santos (1o. de novembro) e o Dia de Finados (2 de novembro) dos cristãos, pois Halloween significa Dia de Todas as Almas e é um tributo aos mortos.
No México e em alguns outros  países de língua espanhola, há a Festa dos Mortos, celebrada na mesma época.

Existe um movimento no Brasil para dar à data de 31 de outubro uma feição mais brasileira, comemorando o Dia do Saci. Acho a ideia divertida pois, como leitora contumaz de Monteiro Lobato, aprendi a amar essa personagem do nosso folclore. Contudo, o Saci é uma personagem traquinas e alegre, que prega peças fazendo tranças nas crinas dos cavalos, mas não tem relação nenhuma com a celebração dos mortos.
Assim, acho que a data escolhida para o Dia do Saci não foi apropriada. Halloween é a celebração da morte, para que nós, os vivos, lembremos da nossa finitude. E o Saci é pura vida e remete à infância.
No Halloween as crianças se divertem muito, pedindo doces nas casas. Quando não são atendidas, pregam peças nos moradores (viram latas de lixo, jogam papel higiênico nas árvores e ovos nas portas).
No Brasil havia uma tradição semelhante no Dia de Cosme e Damião. Na minha infância dávamos doces para as crianças pobres nesse dia, que passavam pedindo guloseimas para os Santos Cosme e Damião. Hoje essa tradição resiste em pouquíssimos lugares.

Chamamos o Halloween de Dia das Bruxas no Brasil, mas essa interpretação é equivocada. Nos países em que a festa é celebrada tradicionalmente as pessoas usam todos os tipos de fantasias (marinheiro, bailarina, esqueleto, etc, como em nosso Carnaval). É uma festa divertida, como o Dia dos Mortos no México e como nosso Carnaval, com comidas, bebidas, fantasias e muita alegria.
O Saci se aproxima dessa interpretação equivocada do Halloween como um dia de bruxarias por ser um ente endiabrado, mas não guarda semelhança com nenhuma das outras tradições mencionadas.

Analisando de uma perspectiva histórica, vemos que as tradições dos povos mais diversos se misturam em suas datas comemorativas. Assim, acreditar que Halloween é uma festa americana importada para o Brasil é enganoso. Nós temos a mesma data, só que celebrada de maneira diversa, em dois dias diferentes: no Dia de Todos os Santos e no Dia de Finados, festas emprestadas dos rituais pagãos com a popularização do cristianismo.

Clipart do fantasminha aqui.

Wednesday, October 21, 2015

Flerting in French - Paquerar (xavecar, para os mais novos) em francês


Noite passada sonhei que recebia um e-mail de um aluno me pedindo para tirar a dúvida dele sobre um pronome que aparecia ao final de uma mensagem que ele havia recebido. Só que o e-mail estava em francês! Fiquei pensando por que ele teria achado que eu sabia francês. Mas, de qualquer forma, resolvi aplicar minhas estratégias de leitura e puxar pela memória, afinal, quando freqüentei a escola pública no século passado, estudei quatro anos de língua francesa, com professores muito bons.
Não me lembro de quase nada que estava escrito no e-mail do sonho, mas me lembro que meu aluno era convidado a ir jantar com os amigos, que avisavam que o jantar seria "chez nous".
Meu aluno me perguntava se o pronome "nous" estava certo.
No sonho, me pareceu que soava certo, mas há quantos anos eu não ouvia nem lia esse pronome! Muito menos lembrava da lista de pronomes que tinha aprendido em francês. Fiquei me esforçando: moi, toi... e o que vem depois disso? Isso tudo, no sonho!
Bom, como toda professora que se preza, qual foi a primeira coisa que fiz ao acordar?
Procurar - óbvio! - uma lição de francês no Google, meu professor (e, às vezes, médico) de todas as horas.
Digitei no campo de busca: Moi toi pronouns (pois não me lembrava da grafia da palavra pronome em francês).
Pois não é que o pronome estava certo mesmo? Achei a explicação aqui.
O engraçado é que não me lembro de quando aprendi a expressão "Chez nous" (= Na nossa casa). Uma das minhas excelentes professoras da escola pública, Dona For-de-Lis Prates, nos ensinou que Chez Moi queria dizer na "minha casa". Lembro bem dessa explicação, pois ela citou o nome da balada (que, no século passado, a gente chamava de "boatinha" = diminutivo aportuguesado da palavra, também francesa, boîte) da cidade.
Ela também explicou, que uma das boutiques (boutique é outra palavra francesa!) da cidade se chamava Casa de Monique em francês, ou seja, Chez Monique.
Como vocês podem ver, mesmo numa cidade no interior do estado de São Paulo e quase, quase no Mato Grosso, também éramos influenciados pela língua francesa, não a inglesa, como agora, na hora de nomear lugares para lhes dar um ar de sofisticação. Ou seja, ainda vivíamos um rescaldo, em meados do século XX, da influência cultural e econômica que a França exercera sobre o Brasil, notadamente a partir do século XIX.
Mas, a história de como outras línguas influenciaram o português do Brasil é assunto para outro post. Agora, se você é meio ansioso/a como eu, já pode ir lendo aqui mesmo.
Agora, se você sabe tão pouco francês como eu, mas entende inglês, pode aprender mais sobre os pronomes franceses. E pode até aprender a xavecar em francês! Mas, antes que as más línguas se manifestem, meu interesse nesse site é meramente pronominal!