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Thursday, August 29, 2013

Going nuts on the nuts!

Outro dia vi escrito em um pacotinho de frutas secas: "Mix de nuts".
Fiquei pensando em que língua o pacote estava escrito. Uma mistura de português e inglês que mais atrapalha que ajuda.
Para comunicar melhor, precisamos estabelecer um código comum com o leitor ou ouvinte e nos manter dentro desse código tanto quanto possível. Evidentemente, os idiomas influenciam uns aos outros, incorporando palavras uns dos outros. Não existe língua "pura". E claro que na linguagem literária e poética isso é diferente. A arte busca criar impacto, muitas vezes subvertendo códigos. Mas isso é assunto para outra mensagem.
Aqui quero falar do tal pacotinho da discórdia. Ou seria o pacotinho da mixórdia?
Bem, vou tentar resumir o que o pacotinho me fez pensar:
"Mix de nuts" é mais curto de escrever do que "Nozes sortidas"? É, mas se for problema de espaço para escrever na embalagem, a diferença de tamanho no texto é pequena: o texto em português tem só 3 caracteres a mais. Então, não seria motivo. Isso não me responde por que alguém escolheria escrever o nome do produto nessa mistura esdrúxula. Talvez tenha sido um erro de digitação: em vez de digitar "Mixed nuts" (Nozes sortidas), a pessoa digitou errado ou escreveu certo e o corretor ortográfico corrigiu, ninguém percebeu a troca e o texto acabou impresso dessa maneira misturada na embalagem.
Outra coisa que fiquei pensando: ninguém mais fala ou escreve "sortido" hoje em dia... Lembro que, quando era criança, era comum ter produtos de tipos diferentes descritos assim. Por exemplo: "biscoitos sortidos", "bombons sortidos", etc. Isso significava que os biscoitos e bombons eram de vários tipos. Sortido vem do latim sortior, que significa "tirado na sorte".
Continuei matutando: sortido pode estar fora de moda, mas temos uma palavra mais curta e ainda em uso e que dá a mesma ideia que mixed: misto. Assim, o nome do produto ficaria curto e todo em português, aumentando a clareza: "Nozes mistas".
Mas aí tem outro problema: em português, diferente do inglês, a palavra noz costuma ser entendida apenas como o fruto da nogueira. Em inglês, nut tem o significado de todo fruto seco com uma única semente. Se olharmos no dicionário, veremos que em português também a palavra noz significa tanto o fruto da nogueira como qualquer outro fruto assemelhado. Em latim, nux, de onde se originou noz, significa fruto de casca dura. Assim, nozes mistas seria uma boa tradução para mixed nuts... se em português o uso corrente da palavra fosse reconhecido de maneira mais ampla do que é. Caso contrário, poderia haver confusão e muito cliente ficaria bravo: - O pacote diz que são nozes mistas e achei castanha-do-pará e amêndoa aqui dentro. Quero meu dinheiro de volta!

Bem, prosseguindo em minhas divagações linguísticas, pensei que em português ficaria claro se no pacote estivesse escrito "Frutas secas sortidas". Mas o pacote era pequenininho e talvez isso tudo não coubesse e, ainda por cima, sortido parece palavra que já foi para o museu. Então, talvez, melhor escrever "frutas secas mistas", mas são 19 caracteres contra os 11 em "mix de nuts" do texto original. Além disso, quando dizemos frutas secas, pensamos também em figos ou outras frutas desidratadas. Para complicar, existe a diferença entre fruto e fruta! As do pacotinho eram frutos, não frutas!
E a mixórdia linguística só aumentava!
Fiquei então pensando, como chamamos esses danados desses frutos, como por exemplo:  amendoim, que na verdade é um legume (!), mas que entra na categoria dos frutos secos em nosso cotidiano,  como são as castanhas, nozes, avelãs, etc?
Normalmente não precisamos mais pedir o produto no armazém. Vamos ao mercado e pegamos a embalagem, que comunica o conteúdo seja pela transparência, seja pela ilustração. Não é nem preciso saber ler para se comprar. Mas e se tivéssemos que pedir para o dono da venda, como pediríamos isso no Brasil?
- Quero umas nozes mistas?
- Me vê um frutos secos sortidos?
- Vou levar umas frutas secas mistas, por favor.
- Você tem mix de nuts?
O que os leitores acham? Como vocês pediriam isso no balcão? Para mim, a solução melhor é "nozes mistas", do ponto de vista da adequação linguística, mas sei que se falar assim com o dono da venda, vou ter de explicar. Em casa costumo dizer "frutas secas". Apesar da imprecisão vocabular, no contexto da minha casa todos sabemos do que estou falando. E essa é uma característica importante da boa comunicação: para nos entendermos, temos que ter conhecimento compartilhado.

Essa mensagem ilustra um pouco tudo o que pode se passar pela cabeça de um tradutor antes de ele se decidir por seu texto final. E embora pareça ser um processo demorado, tem que ser feito muito rapidamente, pois quanto mais o tradutor demora para achar uma solução, menos rentável fica o trabalho, já que ganhamos por lauda traduzida e não por tempo de trabalho.
Para que isso seja feito rápido, o tradutor precisa ter um conhecimento vasto não só do vocabulário nos dois idiomas, como também do registro linguístico, ou seja, em que contexto a comunicação acontece e entre que pessoas; além disso, é preciso ter conhecimentos gerais amplos, das mais diversas áreas, para não entregar para o cliente gato por lebre, ou fruta por fruto.

Para finalizar, espero não ter deixado vocês pirados (em inglês: nuts) com essa discussão toda. E essa conclusão explica o título da minha postagem: Going nuts on the nuts! (Pirando com as nozes!). Nuts em inglês também significa maluco, pirado.






Saturday, July 14, 2007

Frutas e verduras: veja o vídeo, leia a legenda e ouça a pronúncia


Fico impressionada com o número de pessoas que lêem minha mensagem sobre clipart de frutas.
É um dos três tópicos mais populares no meu Blog.
Assim, em homenagem a esses leitores e para ajudar a todos os que querem viajar e desejam saber como dizer o nome de frutas e verduras em inglês, selecionei um vídeo bem legal, de cinco minutos. Mesmo que você não entenda tudo o que o professor diz, não se preocupe. O nome da hortaliça* aparece escrito e você pode ouvir a pronúncia e voltar a imagem quantas vezes quiser para ler e ouvir de novo.


*Designação genérica para plantas cultivadas em hortas: verduras, legumes, frutas. Por isso, o termo horti-fruti é redundante.

Wednesday, October 25, 2006

Clipart de frutas e verduras

Encontrei uma página sobre alimentação saudável com clipart gratuito de frutas e verduras. Os desenhos são bem bonitos e coloridos. Até aí, nada muito diferente do que encontramos no clipart do Word. Nessa página porém, a boa surpresa é que, ao clicar no nome do alimento, abre-se uma outra janela com os componentes nutricionais da fruta ou da verdura. Muito bom para tradutores, professores e alunos que desejem ou precisem de informações específicas sobre esse vocabulário técnico em inglês. Também serve para melhorar nossos hábitos alimentares, claro!

Além disso, o clipart pode ser usado para outras atividades: o professor pode entregar aos alunos a lista de componentes com os valores para serem preenchidos e assim, praticar números, por exemplo, numa tarefa de information gap. Alguém tem mais alguma outra idéia?
Para ir para a página do clipart, clique aqui, mas volte ao Blog e comente se gostou ou dê uma outra idéia para usar o material! Divirta-se!

Thursday, January 25, 2007

Food allergy, food intolerance and food fussiness


Recentemente aprendi numa tradução que alergia alimentar (food allergy) e intolerância alimentar (food intolerance) são diferentes. Tanto do ponto de vista linguístico como gástrico.

A primeira é bem mais grave, podendo causar edema de glote e até levar a pessoa à morte. Já a intolerância alimentar causa indisposição gástrica, mas não é tão grave. Há pessoas que têm intolerância à lactose (lactose intolerance), por exemplo.

Agora, tenho um amigo que sofre de um problema diferente. Ele não come uma série de alimentos, mas não por ter alergia ou intolerância a alguma delas.
Entre os alimentos que ele se recusa terminantemente a consumir estão:
- qualquer alimento salgado servido em colher (!): sopas, molhos, etc.
- frutas oleaginosas de qualquer tipo: nozes, amendoim, castanhas, etc.
- pipoca (!), que ele odeia principalmente no cinema. Não comam perto dele!

Quando ele rejeita algum alimento desses as pessoas perguntam se ele tem alergia e ele diz que não, que simplesmente não gosta. Assim, pensei que ele sofre de um terceiro problema. Na verdade, quem sofre é quem o convida para uma festa. :-)

Então, pensei em forjar (em inglês, forge = moldar, inventar) um termo técnico para definir essa situação e cheguei à conclusão que meu amigo sofre de implicância alimentar! Não come porque não gosta e pronto!
Até já sei como chamar isso em inglês: food fussiness.

E vocês, conhecem mais alguém que sofra (ou faça alguém sofrer) em consequência de uma implicância alimentar? Conte aqui.

Thursday, December 19, 2024

Quando uma árvore decorada se tornou símbolo do Natal?


Alguém se recorda da primeira vez em que ajudou a decorar a árvore de Natal
da família? Para muitas crianças, é uma lembrança inesquecível. Mesmo nos lares mais modestos, uma representação da árvore está sempre presente, ainda que artesanal. Um vasinho de planta com uma fita vermelha, tampinhas de refrigerante ou círculos cortados de rolo de papel e pintados servindo de enfeite. O importante é marcar a data.

Mesmo os que são ateus ou não cristãos também mantêm o hábito de enfeitar uma árvore de Natal e reunir a família, encontrar amigos e festejar a ocasião.

Agora, quem aí sabe qual foi a primeira pessoa ou povo que começou a usar a árvore de Natal como símbolo do nascimento de Cristo? E quanto tempo atrás isso aconteceu, hein? Curiosos?

A resposta está no texto "A Origem das Árvores de Natal", que escrevi com ajuda de Inteligência Artificial (IA) e que pode servir, além de saciar sua curiosidade, para treinar seu inglês:

A. Primeiro, vamos ativar seu conhecimento prévio sobre o assunto. Pense nas respostas para as seguintes perguntas:
1. Você sabe de onde vem a tradição de decorar árvores para o Natal? 2. Quais plantas você já viu sendo usadas para decorar casas para o Natal? 3. Como você imagina que as pessoas celebravam o Natal nos tempos antigos, antes da tradição que conhecemos hoje? 4. Você já ouviu falar da história das árvores de Natal na Alemanha? O que sabe sobre isso? 5. O que você acha que mudou ao longo do tempo nas tradições das árvores de Natal até os dias de hoje?


B. Agora, clique no link do áudio e tente entender as ideias principais. Ouça quantas vezes achar necessário. Anote o que entender. 

C. Avalie quanto do texto você entendeu: 100%? 80%? 60%?

D. Leia o texto em português e avalie se sua autoavaliação foi adequada. 

E. Anote as palavras novas e guarde-as no seu glossário particular. Revise de tempos em tempos.

F. Deixe seu comentário aqui. Vou gostar muito de ler. 

     Áudio: The Origin of Christmas Trees 

 The Origin of Christmas Trees

The origin of Christmas trees dates back to pagan traditions and medieval Europe, long before the celebration of Christmas as we know it today. Here's a brief overview of how the tradition of Christmas trees developed:

1. Pagan Traditions

In ancient times, people used evergreen plants like holly, ivy, and fir trees to decorate their homes during winter solstice festivals. These plants symbolized life and rebirth because they stayed green throughout the cold, dark winter months.

The Romans and Germanic tribes celebrated the solstice with evergreens, believing they had magical properties and could protect homes from evil spirits during the harsh winter.




2. Medieval Germany

The modern Christmas tree tradition is believed to have originated in Germany in the 16th century. People started bringing small trees into their homes and decorating them with apples, nuts, and candles to celebrate the birth of Jesus.

These early Christmas trees were sometimes known as "Paradise trees", a reference to the Garden of Eden in religious plays during the Middle Ages. The trees were decorated with fruit and represented the Tree of Knowledge.








3. The 19th Century Spread

The tradition of Christmas trees became more widely known in England and America in the 19th century. It gained popularity when Prince Albert (husband of Queen Victoria) introduced the custom to the British royal family in the 1840s. There are famous pictures showing Queen Victoria and her family around a Christmas tree, which helped make it fashionable in England.

The tradition spread to the United States in the mid-1800s, particularly after German immigrants brought their customs with them.




4. Modern Christmas Trees

Over time, people started to use electric lights instead of candles for safety reasons, and today, Christmas trees are decorated with a variety of ornaments, lights, and tinsel.

The use of artificial Christmas trees also became popular as a more convenient and longer-lasting alternative to natural trees.




Summary

The Christmas tree has its roots in ancient winter solstice festivals, evolved through medieval European religious practices, and spread widely during the 19th century. Today, it is a beloved symbol of Christmas around the world.

Texto em português: 

A Origem das Árvores de Natal
Áudio:
A origem das árvores de Natal remonta às tradições pagãs e à Europa medieval, muito antes da celebração do Natal como o conhecemos hoje. Aqui está uma visão geral de como a tradição das árvores de Natal se desenvolveu:

  1. Tradições Pagãs
    Nos tempos antigos, as pessoas usavam plantas perenes, como azevinho, hera e abetos, para decorar suas casas durante os festivais do solstício de inverno. Essas plantas simbolizavam a vida e o renascimento, pois permaneciam verdes durante os meses frios e escuros do inverno.
    Os romanos e as tribos germânicas celebravam o solstício com plantas perenes, acreditando que elas tinham propriedades mágicas e podiam proteger as casas de espíritos malignos durante o inverno rigoroso.

  2. Alemanha Medieval
    Acredita-se que a tradição moderna da árvore de Natal tenha se originado na Alemanha, no século XVI. As pessoas começaram a trazer pequenas árvores para dentro de suas casas e decorá-las com maçãs, nozes e velas para celebrar o nascimento de Jesus.
    Essas primeiras árvores de Natal eram às vezes conhecidas como "Árvores do Paraíso", uma referência ao Jardim do Éden nas peças religiosas da Idade Média. As árvores eram decoradas com frutas e representavam a Árvore do Conhecimento.

  3. A Difusão no Século XIX
    A tradição das árvores de Natal se tornou mais conhecida na Inglaterra e nos Estados Unidos no século XIX. Ganhou popularidade quando o príncipe Alberto (marido da rainha Vitória) introduziu o costume para a família real britânica na década de 1840. Há fotos famosas que mostram a rainha Vitória e sua família ao redor de uma árvore de Natal, o que ajudou a tornar a tradição popular na Inglaterra.
    A tradição se espalhou para os Estados Unidos em meados dos anos 1800, especialmente após os imigrantes alemães levarem seus costumes para lá.

  4. Árvores de Natal Modernas
    Com o tempo, as pessoas começaram a usar luzes elétricas em vez de velas por razões de segurança, e hoje as árvores de Natal são decoradas com uma variedade de enfeites, luzes e fios de prata.
    O uso de árvores de Natal artificiais também se tornou popular como uma alternativa mais conveniente e duradoura às árvores naturais.

Resumo
A árvore de Natal tem suas raízes nos antigos festivais do solstício de inverno, evoluiu por meio das práticas religiosas medievais europeias e se espalhou amplamente no século XIX. Hoje, é um símbolo amado do Natal em todo o mundo.