Tuesday, November 04, 2014

Para onde vão as palavras quando ficam velhas?

Mário Sérgio Cortella afirma que as pessoas não ficam velhas. O que fica velho é aparelho de TV (ou televisor, como se dizia na minha infância), geladeira, fogão. O homem se renova a cada dia, se torna novo a cada mudança. É uma bela visão e tenho de concordar com ela. Se tivermos o cuidado e a sorte de que nossa mente não se degenere, podemos nos fazer novos a cada dia, como a avó de uma grande amiga minha que, aos mais de noventa anos, dizia que só iria para o asilo quando ficasse velha. Ou como a mãe de Caetano Veloso, que ao completar um centenário de vida disse que só iria comer mingau no dia em que ficasse velha. Que mingau é comida de doente e de idoso e ela não é nenhuma das duas coisas. Que maravilha envelhecer assim! Ou seria melhor dizer "que maravilha rejuvenescer assim"?
Mas esse é um blog sobre palavras, então, vamos a elas.

Numa comparação com a visão que temos no Brasil e em muitos países ocidentais, as pessoas idosas caem em desuso, não servem mais, a não ser para atrapalhar. Ficam esquecidas e abandonadas. Assim é com algumas palavras também. Muitas, na verdade!

As palavras também são abandonadas com o tempo. Ninguém mais se lembra de algumas delas, que ficam vivas apenas na memória das pessoas mais velhas ou acabam indo para o museu das palavras. A palavra escrita, no meu modo de ver, é o museu das palavras que caem em desuso na boca do povo. 
Quando paramos de falar certas palavras, elas somem das conversas, dos noticiários, dos programas de entretenimento e só permanecem vivas nos livros, revistas, jornais, páginas de Internet e outras publicações antigas. Ninguém se lembra delas a não ser que "visite" um desses "museus". Na leitura encontramos palavras de que já não nos lembrávamos mais ou que nunca havíamos ouvido antes, como quando lemos Machado de Assis ou mesmo um jornal ou revista de 10 anos atrás...
Ainda bem que temos a língua escrita para manter viva a riqueza do nosso vocabulário e para nos mostrar as mudanças pelas quais o idioma passa. Nós o usamos e o modificamos e também somos modificados por ele. Ainda bem que temos na palavra escrita um museu das palavras, para manter essa memória viva!

2 comments:

Paty Silveira said...

Lindas palavras... Que elas nunca se percam!

Ana Scatena said...

Thanks for stopping by and leaving a comment!