Sunday, March 18, 2007

A cultura forja a palavra ou as palavras forjam a cultura?

Para saber uma língua é preciso saber o significado exato das palavras que aprendemos, certo?
O prof. Johnny Papazian, quando um aluno pergunta, por exemplo,"Professor, o que é signal? responde: "É uma palavra. Coloque-a numa frase que eu te digo o que ela significa."
Ou seja, sem contexto, é impossível saber o significado que qualquer palavra tem. O significado pode ser diferente dependendo da situação e dos falantes envolvidos. Não se pode dizer que as palavras tenham um significado único, exato, portanto.
E o contexto a ser considerado não é apenas o da frase. No contexto frasal está implícito o contexto social, histórico e cultural dos falantes. Todas essas esferas constituem a palavra e, de maneira dialética, creio eu, são constituídas pela palavra. Muito complicado?
É mesmo. Mas é fascinante.

3 comments:

Jarbas said...

Alô Ana,

Nunca é demais relembrar a questão do contexto como elemento primordial para o entendimento (atribuição de significado) a uma palavra. Difícil é superar um hábito que acabou se formando em nossas mentes por insistência de certos professores: "usem o dicionário". Numa certa fase de aprendizagem da língua inglesa eu nada conseguia ler no idioma da velha Albion. Ia ao dicionário com uma frequencia tão grande que a leitura se tornava um suplício. Observo que meus alunos na universidade têm o mesmo problema com nosso idioma nativo, assim que topam com uma palavra nova querem logo uma definição de dicionário. Poucos se arriscam a buscar significado no contexto. Em parte, acho que o problema tem sua raiz num ensino de idiomas que não insiste em exercícios de descobertas de significado 'no contexto', e valoriza de modo equivocado o uso de dicionários.
Abraço grande, Jarbas.

Ana Scatena said...

Oi, Jarbas!
Quando fiz faculdade, a professora de literatura inglesa nos disse que deveríamos ir ao dicionário cada vez que achássemos uma palavra desconhecida nos livros que líamos. Como eu fazia 4 literaturas, se tivesse seguido esse conselho,estaria lendo os livros até hoje. A falta de tempo obrigou-me a usar outras estratégias, como tentar inferir o significado pelo contexto, a partir do que era conhecido.
A escola nos ensina a usar o dicionário como muleta, quando este deveria ser uma ferramenta.
Aliás, nesse caso específico, a escola nos ensina a ir contra a natureza, forçando o cérebro a fazer um caminho mais longo e menos produtivo do que ele está preparado para fazer quando encontra algo desconhecido.
Obrigada pela visita!

Gui said...

Realmente, o contexto faz toda a diferença e muitas vezes é o suficiente para que se entenda o significado da palavra. Acho que nesse caso a minha preguiça foi uma coisa muito produtiva. Nunca gostei de usar o dicionário, logo eu sempre tentava entender as palavras desconhecidas pelo próprio texto. Quando eu comecei a fazer aulas de inglês e de espanhol, eu percebi que essa não é a prática mais comum.

Ahhhh... e eu queria muito ler o texto que você falou no post, mas é só pra assinantes do Estadão.. =/